A Comissão Processante (CP) que investiga a vereadora Anne Moraes (Avante) na Câmara Municipal de Londrina, no Paraná, iniciou nesta terça-feira (12) a fase de oitivas de testemunhas. A parlamentar é acusada de supostamente ter utilizado advogados que atuavam como seus assessores de gabinete para defendê-la em processos jurídicos de cunho pessoal, sem qualquer relação com suas atribuições legislativas.
Entre os primeiros a serem ouvidos estão os advogados Rafael Carlos da Silva Zandonadi, Pedro Lucas Sterchille e Régis Cotrin Abdo, que integraram a equipe da vereadora no início de 2025. Esses nomes foram indicados tanto pela defesa de Anne Moraes quanto pela própria CP, que busca o esclarecimento dos fatos em torno das denúncias que motivaram a investigação.
Instaurada em 7 de abril, a CP tem previsão de concluir seus trabalhos até meados de julho. A defesa da vereadora tentou, sem sucesso, o impedimento da presidente da comissão, Michele Thomazinho (PL), alegando um histórico de conflitos judiciais entre as duas. Além disso, houve um pedido para a retirada de documentos de uma ação civil pública do Ministério Público do Paraná (MPPR) que apura a mesma denúncia; a CP acatou parcialmente, permitindo o uso de depoimentos já prestados pelos ex-assessores no âmbito judicial.
A denúncia original aponta que um advogado, nomeado em janeiro de 2025 para o gabinete de Anne com salário superior a R$ 9 mil, teria atuado em processos particulares da vereadora, inclusive participando de audiências durante o expediente e nas dependências da Câmara. A defesa, por sua vez, sustenta que qualquer atuação em processos pessoais da parlamentar se deu por meio de contratos privados, firmados antes das nomeações, ou por colaborações pontuais sem custos ao erário público. Argumenta-se que não houve uso indevido da estrutura legislativa nem prejuízo às funções públicas, já que a legislação não vedaria outras atividades profissionais aos assessores.



