Apesar de possuir uma extensa costa e 443 cidades litorâneas, o Brasil ainda não explora plenamente o potencial de sua 'economia azul'. Enquanto o setor global, que engloba pesca, turismo, energia offshore, transporte marítimo e biotecnologia marinha, movimenta US$ 2,6 trilhões anualmente e tem projeção de dobrar até 2050, o oceano é frequentemente marginalizado nos debates econômicos nacionais. O país, um dos mais bem posicionados globalmente para liderar neste campo, enfrenta desafios para transformar seu vasto litoral em um motor de desenvolvimento econômico sustentável.
Especialistas, como Renato Regazzi, professor do Insper, apontam que o principal entrave reside na 'literacia oceânica'. Essa lacuna de conhecimento da população e dos tomadores de decisão sobre a dimensão do mar como um conjunto integrado de setores impede a criação de políticas públicas eficazes. Regazzi defende que o mar deve ser visto além de um recurso isolado, abarcando atividades que, quando articuladas com o desenvolvimento urbano e saneamento básico, podem impulsionar significativamente a prosperidade e a sustentabilidade.
A importância dos oceanos foi destacada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com a 'Década dos Oceanos' (2021-2030), visando reverter o declínio da saúde marinha e promover o uso sustentável. No Brasil, iniciativas como o <i>Selo Azul Cidades Costeiras</i>, que certifica municípios engajados em proteção ambiental e economia azul, e o <i>Índice da Economia Azul</i>, que classifica cidades costeiras por indicadores socioambientais, começam a surgir para fomentar este desenvolvimento em âmbito nacional.
Paraná Se Destaca com Avanços Legislativos na Economia Azul
No cenário nacional, o estado do <b>Paraná</b> emerge como um exemplo progressista, tendo aprovado uma lei estadual específica sobre a economia azul. Este movimento posiciona o estado na vanguarda da regulamentação e incentivo ao setor. Outras regiões, como o Rio de Janeiro – que investe em tecnologias para ecossistemas marinhos (Blue Tech) –, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Ceará e Bahia, também demonstram avanços na discussão e implementação de estratégias voltadas para o oceano.
Inspirando-se em modelos internacionais, como a indústria naval da França, o hub de economia azul de Portugal e cidades litorâneas inteligentes como Barcelona, o Brasil tem um caminho claro a seguir. O professor Regazzi ressalta a importância de iniciar a valorização do oceano nas escolas, criando atratividade para os jovens e estimulando o desenvolvimento de produtos e serviços locais de alto valor agregado, essenciais para consolidar a 'economia azul' como um pilar estratégico da economia brasileira.
Fonte: https://g1.globo.com



