A história de Lucia Loxca, uma refugiada síria que fugiu da guerra civil após ter sua universidade em Alepo bombardeada, cruzou com o destino da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e redefiniu o acolhimento a migrantes no Brasil. Chegando a Curitiba em 2013 com o sonho de retomar os estudos em Arquitetura, Lucia enfrentou o desafio do idioma e a ausência de mecanismos institucionais para sua admissão, uma realidade comum a muitos deslocados que buscam refúgio no país.
Sua persistência a levou aos corredores da UFPR, onde encontrou o professor Paulo Chiesa, então coordenador do curso de Arquitetura. A princípio, Chiesa não dispunha de ferramentas para auxiliar Lucia, já que a universidade no Paraná carecia de políticas estruturadas para refugiados. Contudo, a dramática narrativa de Lucia e a consciência da lacuna institucional, aliadas à experiência prévia do professor com o ACNUR, moveram-no a buscar uma solução junto à reitoria.
Inspirada por casos de outras instituições e pela urgência do contexto, a UFPR agiu rapidamente. Em tempo recorde, a universidade desenvolveu um plano e aprovou uma resolução específica para o tema, tornando Lucia a primeira refugiada oficialmente matriculada. Este marco não apenas garantiu o direito de Lucia à educação, mas também estabeleceu um precedente fundamental que transformaria a UFPR em um modelo a ser seguido em termos de integração e políticas públicas para migrantes.
Mais de uma década depois, a Universidade Federal do Paraná é amplamente reconhecida, inclusive pela Organização das Nações Unidas (ONU), por seu forte compromisso institucional na promoção da integração de migrantes e refugiados. Além da matrícula, a instituição oferece suporte à permanência, como aulas de português no Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) e a solidariedade da comunidade acadêmica. Para o professor Chiesa, essa postura é intrínseca à função de uma universidade pública: “Acolhendo a política de cotas sociais, acolhendo a política de refugiados e dos migrantes, a Federal do Paraná presta a função para a qual foi construída. É uma universidade pública. Ela tem que ser exemplo”, defendeu. A jornada de Lucia, portanto, transcende sua própria graduação em 2017, consolidando um legado de inclusão e responsabilidade social no estado do Paraná.
Fonte: https://g1.globo.com



