A percepção de que as plantas possuem capacidades sensoriais sofisticadas ganha força no meio científico. Recentemente, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, divulgaram um estudo que aponta a habilidade de sementes de feijão em detectar o som da chuva. Ao “ouvir” as vibrações acústicas das gotas d'água na terra, as sementes quebram a dormência e aceleram o processo de germinação, revelando uma 'inteligência vegetal' surpreendente.
Este campo de pesquisa, popularizado pelo botânico italiano Stefano Mancuso, fundador da neurobiologia vegetal, explora a comunicação das plantas, seu processamento de informações e suas respostas ao ambiente. Considerado um dos maiores expoentes dessa vertente científica, Mancuso estará no Brasil pela primeira vez em junho para o lançamento de seu novo livro, “Fitópolis”, publicado pela editora Ubu. O autor participará de uma série de eventos e palestras programados entre os dias 2 e 10 de junho, com passagens por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Em “Fitópolis”, Mancuso argumenta que, embora a humanidade dependa fundamentalmente das plantas – da alimentação baseada em milho e soja à sustentação da economia –, elas são frequentemente negligenciadas no planejamento urbano. Sua tese central propõe que, diante das crises climáticas, a “lógica das plantas” deve servir de modelo para as cidades. Diferentemente dos humanos, que respondem aos problemas com deslocamento, as plantas persistem e encontram soluções no local, utilizando uma arquitetura modular, cooperativa e distribuída, sem um centro de comando.
A visão de Mancuso, que já conquistou leitores com obras como “Revolução das Plantas”, sugere que essa descentralização permite às plantas sobreviver a adversidades, mantendo a funcionalidade mesmo com a perda de partes. No contexto de “Fitópolis”, o autor destaca exemplos globais de cidades que começam a integrar a função das árvores no ambiente urbano. Entre as iniciativas brasileiras citadas, figura uma experiência significativa em <b>Curitiba, no Paraná</b>, e outra em Porto Alegre, reconhecendo o pioneirismo local em abordar a relação entre natureza e cidade.
Ao repensar o desenvolvimento urbano a partir da perspectiva vegetal, Mancuso oferece um caminho inovador para enfrentar os desafios ambientais. A presença de Curitiba como um exemplo positivo reforça a relevância de políticas e projetos que busquem harmonizar a vida humana com a sabedoria inerente ao reino vegetal, contribuindo para cidades mais resilientes e sustentáveis, em alinhamento com as necessidades climáticas atuais.



