O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um procedimento para investigar denúncias de que um desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) teria recebido um quadriciclo no valor de R$ 62,5 mil em troca de uma decisão judicial. A grave acusação, que envolve a Construtora Zoller, de Curitiba, e o desembargador Francisco Carlos Jorge, lança holofotes sobre a integridade do sistema judiciário paranaense e nacional.
A denúncia, apresentada pela própria empresa ao CNJ em abril, aponta que uma investigação particular reuniu indícios substanciais. Entre as provas anexadas estão o depoimento do administrador da loja que vendeu o veículo, uma nota fiscal emitida em nome do filho do magistrado e uma fotografia de redes sociais que mostra os netos do desembargador pilotando o quadriciclo. A construtora alega ter sido diretamente prejudicada por uma reversão de decisões anteriores do órgão colegiado, atribuída ao desembargador.
Segundo a Construtora Zoller, que estava vencendo a causa por unanimidade, a reviravolta ocorreu em 2024 após a parte contrária contratar um novo advogado. A decisão questionada do desembargador Francisco Carlos Jorge, proferida em um recurso de embargos de declaração – geralmente usado para esclarecimentos –, teria "ressuscitado" uma dívida milionária que a empresa contesta. A transação do quadriciclo, conforme a denúncia, teria ocorrido dois dias após o julgamento, com detalhes da compra e troca de modelo, culminando na emissão da nota fiscal para o filho do desembargador.
Em resposta, o TJPR informou que "seguirá todas as recomendações do CNJ", enquanto a Corregedoria Nacional de Justiça confirmou a instauração de um procedimento para apurar as supostas irregularidades. O caso no Paraná ganha ainda mais relevância no cenário atual de debates sobre a rigidez das punições a magistrados, com recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) propondo a perda do cargo como sanção máxima, em vez da aposentadoria compulsória.
Fonte: https://g1.globo.com



