Uma decisão da Justiça Eleitoral do Paraná pode reconfigurar o cenário político em Santana do Itararé, município do Norte Pioneiro. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE/PR) cassou, por maioria de votos, o mandato do prefeito Élcio José Vidal, conhecido como Calé (PSD), e de seu vice, Joás Michetti (PSD). A medida, que se baseia em acusações de compra de votos no pleito de 2024, poderá levar a novas eleições na cidade paranaense caso não seja revertida em instâncias superiores.
Com a cassação da chapa majoritária, o comando do Executivo municipal foi temporariamente assumido pelo presidente da Câmara dos Vereadores, Reinaldo de Oliveira Amador, o Naldo Motorista (PDT). O processo eleitoral que culminou na decisão do TRE/PR apontou a existência de elementos que sustentam a prática de compra de votos por membros da campanha de Calé e Joás, configurando o crime eleitoral que levou à perda dos mandatos.
Calé, que já havia governado o município entre 2005 e 2008, retornou à prefeitura em 2024, superando o então prefeito José Isac por uma margem de aproximadamente 400 votos (2,1 mil contra 1,7 mil). Caso a sentença seja mantida, a Justiça Eleitoral deverá em breve agendar a data para eleições suplementares, onde os pouco mais de 4 mil eleitores de Santana do Itararé terão que voltar às urnas para escolher um novo representante para o cargo.
Em resposta à decisão, o prefeito Calé negou veementemente as acusações de crimes eleitorais e declarou que irá recorrer. Ele expressou surpresa com o resultado, argumentando que o voto da relatora em primeira instância foi contrário ao recurso da oposição e que o Ministério Público havia encaminhado parecer pelo arquivamento do caso. Calé também salientou que não foi citado diretamente no processo e que as testemunhas de compra de votos teriam ligações com a campanha do seu adversário derrotado. "Vamos aguardar o acórdão e lutar até o fim. Acredito na Justiça", afirmou o prefeito.



