A implementação da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras desencadeia cenários distintos na economia do Paraná. Enquanto cidades como Londrina são relativamente poupadas devido ao perfil de suas exportações, majoritariamente grãos e café — itens excluídos da medida —, outros polos industriais do estado, especialmente os ligados à madeira processada e ao setor moveleiro, preparam-se para enfrentar pressões significativas. A medida, que entrou em vigor recentemente, ameaça reduzir a produção e impactar empregos em regiões estratégicas.
Analistas apontam que a baixa dependência do mercado norte-americano para Londrina, onde a indústria representa menos de 17% do PIB municipal, minimiza os efeitos diretos. Contudo, o panorama é drástico para municípios com forte atuação nos setores moveleiro e madeireiro, como Arapongas, um dos principais polos do país. A tarifa incidirá sobre produtos metalmecânicos e manufaturas de madeira, afetando também regiões centrais do Paraná e cidades como Telêmaco Borba, que se destaca na produção de celulose. Apesar dos desafios regionalizados, projeções indicam um impacto macroeconômico limitado no PIB brasileiro e ainda menor para o Paraná, com especialistas descartando uma alta significativa do desemprego exclusivamente por essa medida.
Para a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), a sobretaxa representa um dos maiores obstáculos já enfrentados pelo setor. Metade das exportações brasileiras de madeira processada tem como destino os EUA, e alguns segmentos, como o de molduras, dependem quase que exclusivamente desse mercado. A especialização dos produtos para atender às exigências da construção civil americana dificulta o redirecionamento para outros mercados, levando a riscos imediatos de diminuição da produção, cancelamento de contratos e, consequentemente, ameaça aos postos de trabalho. A entidade reforça a necessidade de intensificar as negociações diplomáticas para reverter a medida.
No agronegócio paranaense, a exclusão de produtos como café, carne bovina, suco de laranja, mel e couro da lista de sobretaxação ameniza os efeitos diretos. Contudo, o Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep alerta que qualquer aumento de tarifas internacionais gera insegurança para exportadores e importadores, diminuindo a previsibilidade dos negócios. Os Estados Unidos são reconhecidos por remunerar melhor os produtos brasileiros, tornando o mercado estratégico. Apesar das isenções, produtos florestais, que figuram como um dos principais itens da pauta exportadora paranaense para o país, continuam entre os mais vulneráveis à nova política tarifária.



