Psicóloga de Londrina Questiona Limites da Inteligência Artificial em Recursos Humanos

A crescente influência da Inteligência Artificial (IA) no setor de Recursos Humanos (RH) tem gerado debates acalorados, e uma voz crítica surge de Londrina, no Paraná. A psicóloga Nina Cardoso, em artigo de opinião publicado na Folha de Londrina, expressou profundas ressalvas sobre a eficácia da IA em substituir ou aprimorar a capacidade humana no ambiente organizacional. Com base em sua vasta experiência profissional, incluindo anos de atuação na cidade paranaense, Cardoso levanta preocupações sobre a descaracterização do RH e a dependência de sistemas programados por indivíduos sem vivência prática na área.

A especialista contesta a premissa de que a IA pode "amplificar a capacidade humana de cuidar, desenvolver e liderar", argumentando que a inteligência artificial emocional, embora vendida como um radar para problemas sutis, opera apenas com referenciais programados. Para Cardoso, a IA ignora a complexidade da comunicação não verbal e das intenções não explícitas, que são cruciais para a leitura emocional de equipes, e pode orientar sobre o que dizer, mas jamais controlará as reações ou sentirá as nuances das interações humanas.

A psicóloga aponta para uma transformação problemática no papel da liderança e do RH, onde a sensibilidade e a capacidade de leitura emocional são indispensáveis, mas dificilmente podem ser desenvolvidas por meio de treinamentos com equipamentos pré-programados. Ela argumenta que a IA para identificação de talentos, por exemplo, tende a focar em “padrões” predefinidos, potencialmente ignorando capacitações fora do convencional e limitando a diversidade e o potencial real das empresas.

Cardoso atribui a atual dependência tecnológica do RH a uma mudança fundamental ocorrida nos últimos 30 anos: a retirada da especialização em Recursos Humanos dos cursos de Psicologia Organizacional e a proliferação de formações de curta duração. Essa alteração, em sua visão, resultou em profissionais menos preparados para a complexidade da interação humana, que agora buscam apoio em sistemas que, ironicamente, carecem da mesma profundidade de entendimento.

Com uma trajetória que inclui estudos na UERJ na década de 70, aplicação na TELERJ até 1992 e uma década de assessoria de RH para pequenas e médias empresas em Londrina, Nina Cardoso valida sua análise com um conhecimento sólido e prático. Ela lamenta que as grandes mudanças globais das últimas três décadas nem sempre tenham beneficiado a humanidade, alertando para a necessidade de o RH resgatar sua essência de intermediador entre empresas e pessoas, compreendendo a totalidade da comunicação humana e suas sutilezas.

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br

Rolar para cima