A prisão de um homem de 22 anos, suspeito de estuprar uma menina de 12 anos em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, trouxe um misto de dor e alívio para a família da vítima. O caso, que ganhou repercussão nacional após a descoberta do abuso por meio de uma pergunta da menina a uma inteligência artificial, teve uma reviravolta no processo judicial. "Ainda tem dor, tem sofrimento, mas tem alívio", desabafou a mãe da criança, refletindo o turbilhão emocional vivido. Esta notícia destaca a atuação da polícia e do judiciário no estado do Paraná.
A investigação foi deflagrada no último sábado (25) quando a família encontrou uma pergunta da menina em um aplicativo de inteligência artificial, onde ela questionava se estaria "atrapalhando o casamento da tia". A IA respondeu que a culpa não era dela, e essa interação levou à descoberta do abuso sexual, que, segundo a apuração, ocorria desde dezembro de 2025. O suspeito, noivo da tia da vítima, chegou a ser preso em flagrante no domingo (26), mas foi solto horas depois, após manifestação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) a favor da liberdade provisória e decisão judicial que alegava ausência de risco.
A decisão de soltura gerou indignação na família, que alertou para a proximidade do suspeito e ameaças à vítima. Diante da contestação e dos novos elementos, o Ministério Público reavaliou o caso. Quatro dias após a liberação, na quinta-feira (30), o MP-PR denunciou o homem por estupro de vulnerável e solicitou a prisão preventiva, revertendo sua manifestação anterior. No mesmo dia, a Justiça expediu um novo mandado, e o suspeito foi novamente detido. A vítima está recebendo acolhimento e apoio familiar.
A tia da menina relatou a complexidade do impacto psicológico, mencionando que a criança ainda sentia culpa, implantada pelo agressor. "Ela ainda se sente culpada, e essa culpa foi ele quem colocou na cabeça dela", afirmou a tia, evidenciando o estrago emocional. A defesa do suspeito, por sua vez, informou que ainda não teve acesso integral aos autos que fundamentaram o novo pedido de prisão preventiva, o que limita uma manifestação técnica no momento, e que adotou medidas para garantir a integridade física do cliente diante de ameaças.
Fonte: https://g1.globo.com



