A Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) reuniu-se com a direção da Santa Casa de Londrina, no Paraná, para cobrar esclarecimentos sobre a grave situação financeira da instituição. Representantes dos municípios buscam compreender o impacto da crise no atendimento à saúde da população regional e obter dados concretos para confrontar as informações divergentes apresentadas pelo Ministério Público e pela própria Santa Casa.
A iniciativa da Amepar surge após uma reunião prévia com o Ministério Público, onde foram discutidas a intervenção judicial na Santa Casa e possíveis irregularidades na destinação de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente da Amepar e prefeito de Cambé, Conrado Scheller, enfatizou que o objetivo da visita foi ouvir a versão da instituição e, munidos de equipes técnica e jurídica, buscar números que permitam uma análise objetiva, diante de depoimentos conflitantes sobre o real tamanho das dívidas e a capacidade administrativa do hospital.
Enquanto o Ministério Público aponta um cenário de colapso administrativo, a direção da Santa Casa alega que as dívidas estão controladas, parceladas, e que a instituição mantém a capacidade de atendimento, embora necessite de novos aportes financeiros. Para Scheller, a solução passa por uma auditoria independente que esclareça as discrepâncias. Além disso, os prefeitos cobram do governo estadual a efetiva implantação da comissão de acompanhamento prevista na decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que suspendeu a intervenção, garantindo que o monitoramento da gestão seja transparente e eficaz, e não apenas “chapa branca”.
A maior preocupação dos gestores municipais é o reflexo da crise financeira na qualidade e na continuidade dos serviços prestados pela Santa Casa, especialmente no que tange à compra de medicamentos e insumos essenciais. O prefeito de Londrina, Tiago Amaral, sublinhou que a Santa Casa é responsável por cerca de 30% dos atendimentos hospitalares da cidade, e uma interrupção ou redução significativa dos serviços provocaria um colapso em todo o sistema de saúde do Paraná na região. Os prefeitos buscam a garantia de que o atendimento à população está assegurado, dada a relevância vital da instituição para o médio Paranapanema.



