Um projeto pioneiro no Paraná permite que agricultores familiares transformem faixas de domínio de rodovias em áreas produtivas, gerando renda e otimizando o uso de espaços antes ociosos. A iniciativa, implementada pela concessionária Via Araucária, tem potencial para impactar positivamente a economia rural e a sustentabilidade no estado.
Aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) via Projeto de Interesse de Terceiros, o modelo abre caminho para que produtores regulares expandam suas lavouras. Mais de 220 trechos já foram mapeados para uso agrícola ao longo dos 473 km de rodovias administrados pela concessionária.
Impulso para a Economia Rural
A medida representa um novo desdobramento para a agricultura familiar, oferecendo uma solução inovadora para a escassez de terras cultiváveis. Em regiões como a Metropolitana de Curitiba, onde a industrialização restringe o espaço, a expansão das áreas de plantio é crucial para a subsistência de muitas famílias.
Geomar Antônio Joslin, produtor rural de Araucária, é um dos beneficiados. Ele conseguiu expandir sua lavoura em quase 10 hectares, dedicando-se ao cultivo de batatas e feijões. “O espaço para plantar é mais restrito, e isso interfere na renda das famílias. Começamos a regularizar em setembro e em dezembro já cultivamos batatas”, relata Joslin.
Este ganho econômico direto para a população rural demonstra o impacto imediato da decisão oficial. A valorização de áreas marginais promove a sustentabilidade financeira dos agricultores, integrando-os de forma mais robusta à cadeia produtiva do estado.
Benefícios Sociais e Ambientais
Além do incremento na produção, o projeto incorpora dimensões de responsabilidade social e preservação ambiental. Os produtores que aderem à iniciativa se comprometem a realizar doações anuais para instituições sociais, gerando um retorno comunitário significativo.
Sergio Santilán, diretor-presidente da Via Araucária, enfatiza os aspectos sustentáveis. “Enxergamos o plantio como um projeto de responsabilidade social e preservação ambiental, reduzindo emissões de CO2. É também uma forma de promover segurança viária e proteção contra incêndios”, explica Santilán.
Essa abordagem multifacetada reflete uma visão do governo e da concessionária sobre o uso inteligente do território. A medida contribui para as atualidades ambientais, aliando desenvolvimento econômico com práticas ecológicas.
Regulamentação e Segurança Rodoviária
As faixas de domínio, que pertencem ao poder público e são administradas pela concessionária, seguem rigorosas regras técnicas. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estabelece diretrizes para garantir a segurança de todos.
Os cultivos devem respeitar limites de altura e não podem comprometer a visibilidade dos motoristas ou a estrutura das vias. Tais decisões oficiais asseguram que o uso agrícola das margens não interfira na fluidez e segurança do tráfego rodoviário.
A implementação dessas normas é fundamental para o sucesso e a continuidade do programa. Garante que os novos desdobramentos na agricultura sejam compatíveis com a infraestrutura e a segurança da política de transportes.
Impactos e Próximos Passos
O projeto no Paraná exemplifica uma abordagem pragmática para a gestão de recursos públicos e o apoio à economia local. Seu sucesso inicial indica um modelo replicável para outras regiões, que enfrentam desafios semelhantes de uso do solo.
Este programa demonstra como parcerias entre o governo, concessionárias e a população podem gerar benefícios múltiplos. A expectativa é de que o projeto continue a expandir, fortalecendo a agricultura familiar e a economia do estado nos próximos anos.
Fonte: https://g1.globo.com



