O sonho de cursar medicina no Paraguai deu origem a um florescente mercado de assessoria estudantil, movimentando milhões de reais e atraindo milhares de brasileiros. Com foco na fronteira, especialmente em Cidade do Leste, vizinha a Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, estudantes brasileiros transformaram suas próprias experiências acadêmicas em um lucrativo negócio. Eles utilizam as redes sociais para compartilhar a rotina universitária, esclarecer dúvidas e oferecer pacotes de serviços completos para futuros alunos, criando um ecossistema de apoio que impulsiona o fluxo de estudantes para o país vizinho.
A estratégia envolve a atuação como intermediários entre os candidatos brasileiros e as universidades paraguaias, que, por sua vez, incentivam diretamente essa prática. Instituições como a Universidade Central do Paraguai (UCP) remuneram os estudantes-influenciadores por cada nova matrícula efetivada, com bonificações que podem cobrir uma parte significativa dos gastos do próprio mediador. Os pacotes de assessoria oferecidos por esses empreendedores digitais, que vão da matrícula à adaptação no Paraguai, podem custar até R$ 13 mil, refletindo a complexidade e o valor agregado dos serviços prestados.
Os números demonstram a grandiosidade desse fenômeno. De acordo com a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, mais de 100 mil estudantes brasileiros se registraram no país desde 2010. Somente nos últimos cinco anos, mais de 43 mil obtiveram autorização para estudar, com mais de 12 mil vistos concedidos apenas em 2025. Essa atração se deve à combinação de mensalidades mais acessíveis, ausência de vestibular e a proximidade geográfica com cidades como Foz do Iguaçu, tornando o Paraguai um destino estratégico para quem busca a formação médica. O impacto econômico desse mercado é sentido na região de fronteira e além.
É fundamental destacar que, para exercer a medicina no Brasil, os profissionais formados em universidades paraguaias devem, obrigatoriamente, ser aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, conhecido como Revalida. A prova, coordenada pelo INEP/Ministério da Educação (MEC), assegura que os conhecimentos técnicos dos diplomados no exterior estejam alinhados aos padrões exigidos para a prática médica legal em todo o território nacional.
Fonte: https://g1.globo.com



