Londrina e o Pioneirismo Paranaense na Criação e Implementação do SUS

A história do Sistema Único de Saúde (SUS), o maior sistema de saúde pública do mundo, possui raízes profundas no Paraná, mais especificamente em Londrina. Foi na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila da Fraternidade que, em 1971, começou a operar o primeiro "postinho de saúde" do país. Essa iniciativa local, sob a gestão do prefeito Dalton Paranaguá e seu secretário Bruno Piancastelli Filho, é reconhecida como um embrião fundamental para o modelo que se tornaria a base universal da saúde brasileira, demonstrando a relevância do estado na construção dessa política nacional.

Antes da criação formal do SUS, o acesso à saúde era precário para a maioria da população, com atendimentos restritos a hospitais de caridade para os "indigentes". O Movimento de Reforma Sanitária Brasileira, impulsionado a partir da década de 1970, buscou mudar essa realidade. Londrina se destacou nesse cenário, com a liderança do professor Nelson Rodrigues dos Santos, da UEL, que coordenou os primeiros postinhos. Esse esforço culminou na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, onde a visão de um sistema universal e integral foi formalmente proposta por relatores londrinenses como Darli Antonio Soares e Paulo Gutierrez.

A previsão constitucional do SUS, consagrada no artigo 196 da Constituição de 1988 ("a saúde é direito de todos e dever do Estado"), refletiu o amadurecimento dessas discussões. Com a posse de Álvaro Dias como governador do Paraná em março de 1989, a prioridade dada à instalação de unidades de saúde e a organização da rede permitiu que, já em 1990, o Paraná se tornasse o primeiro estado do Brasil a implantar o Sistema Único de Saúde em sua totalidade, consolidando sua posição de vanguarda na saúde pública nacional.

A trajetória do pioneiro Postinho da Fraternidade, hoje UBS Arnaldo Bertone, é um testemunho da evolução da saúde pública. Administrado inicialmente pelo Hospital Universitário e depois pelo sistema municipal, o local, que havia sido desativado e demolido, foi reconstruído e reaberto em 2023. Essa reconstrução não apenas revitaliza um serviço essencial, mas também celebra a memória de um espaço que representa um marco histórico crucial para Londrina, para o Paraná e para a concretização do direito à saúde para todos os brasileiros.

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br

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