João Saldanha: A Lenda do Futebol Com Um Capítulo Marcante no Paraná

A nova minissérie “Brasil 70: A Saga do Tri”, da Netflix, reacendeu os holofotes sobre João Saldanha, figura central na história do futebol brasileiro. Interpretado por Rodrigo Santoro, o ex-técnico é retratado como o arquiteto da base da seleção que conquistaria o tricampeonato mundial em 1970, além de seus atritos políticos que levaram à sua saída. Contudo, para além de sua conhecida trajetória no esporte e na militância, uma parte menos explorada de sua vida o conecta diretamente ao estado do **Paraná**, mais precisamente à cidade de Londrina.

No início da década de 1950, Saldanha viveu e trabalhou em Londrina como jornalista para uma sucursal do jornal “Hoje”, um semanário ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Sua presença no Norte do Paraná ocorreu em um período de grande efervescência social e conflito agrário na região, que ficou conhecida como a Guerra de Porecatu (1948-1951). Este foi um dos mais violentos embates por terras na história do Brasil, envolvendo posseiros e fazendeiros em uma disputa acirrada pela posse de propriedades.

Ligado ao PCB, Saldanha foi enviado ao Norte do Paraná para atuar na articulação política do partido na área do conflito. Embora anos mais tarde ele minimizasse seu papel, pesquisas históricas e documentos indicam sua participação ativa na estrutura de apoio aos posseiros. Ele chegou a classificar a Guerra de Porecatu como o “único movimento de luta armada vitorioso no Brasil”, mesmo reconhecendo o não alcance dos objetivos políticos do partido.

A passagem por terras paranaenses é apenas um dos muitos episódios que compõem a rica e, por vezes, controversa biografia de João Saldanha, um homem que transitava entre a realidade e a fantasia, como bem notado por seus biógrafos e contemporâneos. Seu legado vai além da formação da seleção de 1970, abrangendo uma carreira multifacetada que uniu futebol, jornalismo e política, e que teve um capítulo significativo, embora pouco lembrado, em nosso estado.

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br

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