Frigorífico MBRF realoca grávidas após série de abortos espontâneos

Um frigorífico da MBRF, localizado em Lucas do Rio Verde (MT), foi compelido a transferir funcionárias gestantes de setores considerados de alto risco. A decisão oficial é um desdobramento de uma série de abortos espontâneos entre trabalhadoras. Este cenário alarmante mobilizou órgãos de fiscalização.

A intervenção conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou condições laborais impróprias. Tais condições representavam uma ameaça significativa à saúde das futuras mães e de seus bebês, exigindo ações imediatas.

A Descoberta dos Riscos e Abortos

A situação crítica veio à tona após uma trabalhadora venezuelana, grávida de oito meses, sofrer mal-estar severo durante o turno da madrugada. Ela relatou tontura, dores e dificuldade respiratória, evidenciando a urgência de uma avaliação das condições no local.

Este incidente não foi isolado. Em 2023, pelo menos três outras gestantes — duas brasileiras e uma venezuelana — já haviam sofrido abortos espontâneos. Todas elas atuavam no setor de desossa, conhecido por suas exigências físicas intensas. Uma das funcionárias vivenciou a dolorosa perda gestacional em duas ocasiões.

As Condições de Trabalho Sob Investigação

As análises conduzidas pelas autoridades trabalhistas identificaram que o setor de desossa impunha grande esforço físico. As condições incluíam movimentos repetitivos, exposição constante a baixas temperaturas e a necessidade de realizar levantamento de pesos. Estes são fatores de risco significativos para gestantes.

Além dos perigos físicos, as trabalhadoras relataram forte pressão por produtividade, uma questão recorrente na economia do setor. Havia um receio generalizado de demissão caso não atingissem as metas de produção. Esta situação criava um ambiente de estresse e vulnerabilidade, especialmente para as futuras mães.

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)

Em resposta à grave situação e como parte das atuais decisões oficiais, a MBRF assinou voluntariamente um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em janeiro de 2024. Este acordo visa a proteção integral das trabalhadoras gestantes na unidade.

Conforme o TAC, todas as funcionárias grávidas devem ser imediatamente transferidas para funções administrativas ou atividades de menor exigência física. É crucial que essa realocação ocorra sem qualquer prejuízo salarial, garantindo a manutenção da remuneração e dos direitos trabalhistas.

O documento também exige que a empresa realize um estudo ergonômico específico para gestantes. Este estudo deve identificar e mitigar riscos, além de garantir acesso facilitado à assistência médica e a treinamentos. A iniciativa busca criar um ambiente laboral mais seguro e inclusivo.

O não cumprimento de qualquer cláusula do TAC resultará na aplicação de multa diária de R$ 5.000,00 por trabalhadora afetada. Essa sanção reforça o compromisso do governo em assegurar o bem-estar da população trabalhadora.

Impactos e Próximos Desdobramentos

Este caso destaca a importância vital da fiscalização rigorosa no cenário das atualidades do trabalho. Ele chama a atenção para a proteção de grupos vulneráveis, como as trabalhadoras gestantes e migrantes, no mercado de trabalho. O incidente sublinha a necessidade de políticas eficazes para garantir a saúde ocupacional.

As autoridades do MPT e MTE continuarão a monitorar de perto a implementação do TAC. O objetivo é assegurar que todas as cláusulas sejam integralmente cumpridas. Este acompanhamento é essencial para prevenir novos incidentes. Também garante que o impacto para a população trabalhadora seja positivo e duradouro. Novos desdobramentos sobre a efetividade das medidas serão informados.

Fonte: https://gazetadoparana.com.br

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