Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, tornou-se palco de um marco histórico para a conservação ambiental brasileira. O Parque das Aves anunciou o nascimento de 17 filhotes da perereca-rústica (Boana pombali), uma espécie classificada como criticamente em perigo de extinção. Este é o primeiro registro de reprodução bem-sucedida em cativeiro para esse anfíbio, oferecendo uma nova perspectiva para a sobrevivência de um animal que se aproxima perigosamente da extinção na natureza, destacando o papel do Paraná na pesquisa e preservação.
Endêmica da Mata Atlântica e restrita a uma pequena área de Campos de Altitude na divisa entre Paraná e Santa Catarina, a perereca-rústica tem uma população selvagem estimada em apenas cerca de 30 indivíduos. Com aproximadamente 4 centímetros e 5 gramas, esses pequenos anfíbios se destacam por sua coloração verde e padrões únicos de manchas, que servem como "impressões digitais" para sua identificação. A principal ameaça à sua existência é a degradação acelerada de seu habitat natural, banhados e poças temporárias, essenciais para sua reprodução.
O trabalho pioneiro no Parque das Aves teve início há quatro anos, quando um casal da espécie foi resgatado de uma área degradada e levado para Foz do Iguaçu. Desde então, pesquisadores dedicam-se ao estudo detalhado da perereca-rústica, buscando compreender suas necessidades e viabilizar a reprodução em um ambiente controlado. Para isso, foram replicadas as condições naturais de seu habitat, com rigoroso controle de temperatura, umidade e qualidade da água, resultando neste sucesso inédito que representa uma fonte vital de conhecimento para a ciência.
A reprodução em cativeiro não visa apenas criar uma "população de resgate", mas também aprofundar o entendimento sobre a biologia da espécie, com o objetivo final de futuras reintroduções na natureza. Além de seu valor intrínseco, a perereca-rústica desempenha um papel crucial no ecossistema, atuando no controle de insetos e servindo como um indicador sensível da saúde ambiental. A preservação desses anfíbios no Paraná, portanto, transcende a própria espécie, impactando diretamente a conservação de todo o ecossistema em que ela está inserida.
Fonte: https://g1.globo.com



