O cenário da escrita no Brasil passa por uma profunda transformação, onde a qualidade do texto, embora essencial, já não é o único fator para conquistar leitores. Em um ambiente dominado por redes sociais, inteligência artificial e uma miríade de canais de comunicação, o Dia do Escritor, celebrado em 25 de maio, convida à reflexão sobre a necessidade de adaptar a profissão às novas dinâmicas de consumo de informação em todo o país.
Pesquisas recentes destacam essa mudança de paradigma. Um estudo do Aláfia Lab revela que mais da metade dos brasileiros (51,6%) busca informações nas redes sociais, com Instagram, YouTube e Facebook liderando a preferência. Além disso, o consumo de conteúdo recomendado por algoritmos é uma tendência marcante, evidenciando como a descoberta do material está cada vez mais atrelada à tecnologia. Paralelamente, dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” mostram um declínio preocupante: 53% da população não leu sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento, e apenas 27% leu um livro completo no mesmo período, refletindo uma queda em todas as faixas etárias e sociais.
Diante dessa fragmentação da atenção e da queda nos hábitos de leitura, a estratégia para chegar ao leitor evoluiu. Não basta apenas produzir um bom texto; é fundamental compreender como ele será descoberto pelo público. Conceitos como otimização para mecanismos de busca (SEO), escolha estratégica de palavras-chave e distribuição multiplataforma tornaram-se parte integrante da rotina de quem deseja ampliar o alcance de suas obras.
Flávia Crizanto, CEO da Experta, agência especializada em SEO, ressalta que “escrever bem continua sendo o ponto de partida, mas não garante que o conteúdo será encontrado”. Para ela, o SEO não é escrever para robôs, mas sim facilitar a conexão entre quem busca informação e quem a oferece com qualidade. A metodologia da 'Encontrabilidade', desenvolvida pela Experta, busca combinar SEO, otimização para motores de resposta (AEO) e busca social para que autores e marcas sejam encontrados em todos os pontos de contato digitais, do Google às redes sociais e IAs generativas.
Essa adaptação estratégica acompanha o comportamento de uma sociedade multifacetada, onde a atenção é disputada por múltiplos estímulos simultaneamente. Segundo Carlota Boto, professora da USP, a conectividade rápida e imediata das atividades digitais é um fator de dispersão da concentração. Portanto, a presença digital dos escritores precisa ser intencional e estratégica, focando não apenas na criação de conteúdo útil e confiável, mas também em garantir que ele chegue ao seu público-alvo de forma eficaz em meio ao vasto universo de informações online, impactando diretamente a economia criativa e profissional do escritor brasileiro.


