O desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), veio a público nesta quinta-feira (14) para rebater veementemente as acusações de que teria trocado uma decisão judicial por um quadriciclo. A denúncia, que está sob apuração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), coloca o magistrado no centro de uma controvérsia que envolve alegações de benefício indevido e atuação irregular em um processo, ganhando destaque no cenário jurídico paranaense.
As graves alegações foram apresentadas ao CNJ pela Construtora Zoller, de Curitiba. A empresa afirma ter conduzido uma investigação particular que, supostamente, revelou indícios de que uma decisão desfavorável, que reverteu entendimentos anteriores do órgão colegiado, estaria ligada à aquisição do veículo. Entre as 'provas' anexadas estão o depoimento do administrador da loja que vendeu o quadriciclo, uma nota fiscal em nome do filho do desembargador e uma imagem de redes sociais mostrando os netos do magistrado utilizando o bem.
Em sua defesa, o desembargador Francisco Carlos Jorge classificou as 'insinuações de benefício indireto' como 'levianas' e sem fundamento. Ele reiterou que não há qualquer prova ou evidência de irregularidade ou vantagem indevida, argumentando que a compra lícita de um bem pelo seu filho não configura um benefício para influenciar uma decisão judicial. O magistrado defende sua atuação no caso como estritamente dentro dos parâmetros legais e regimentais, desqualificando o 'relatório de inteligência' da construtora como 'apócrifo' e de 'origem duvidosa'.
A controvérsia judicial, que remonta a 1993, envolve um processo contra a Construtora Zoller por atraso no aluguel de imóveis. A empresa alega que estava obtendo sucesso na causa até que, em 2024, uma nova argumentação da parte contrária, via recurso de embargos de declaração, teria revertido as decisões anteriores, 'ressuscitando' uma dívida calculada em R$ 14 milhões – valor contestado pela construtora, que o estima em R$ 288,5 mil. A investigação da Zoller aponta que, dias após o julgamento, um advogado da parte adversa teria escolhido o quadriciclo, pago em dinheiro por terceiros, e posteriormente o filho do desembargador teria trocado o modelo e complementado o valor, resultando na emissão de uma nova nota fiscal em seu nome.
Fonte: https://g1.globo.com



