A crescente busca da China pela autossuficiência alimentar está acendendo um alerta no agronegócio global, com reflexos significativos e imediatos para o estado do Paraná. O plano estratégico chinês, que visa garantir maior segurança alimentar para sua vasta população, pode redefinir o cenário das exportações de grãos e proteínas, um setor vital para a economia paranaense e brasileira. A iniciativa, formalizada no 15º Plano Quinquenal e aprovada como Lei de Planejamento do Desenvolvimento Nacional, coloca a segurança alimentar como uma prioridade máxima para a próxima década, gerando apreensão entre os empresários e produtores que dependem fortemente do mercado asiático.
O Paraná tem experimentado um crescimento notável em suas exportações agropecuárias para a China, dobrando o volume de US$ 2,5 bilhões para US$ 5,2 bilhões no período entre 2016 e 2025. O estado se destaca como um player fundamental no fornecimento de carne de frango, tendo exportado US$ 176 milhões para a China apenas no primeiro trimestre deste ano. Os portos paranaenses, como o de Paranaguá, consolidaram-se como um corredor logístico estratégico, sendo responsáveis por 47,6% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil em janeiro de 2026, com infraestrutura moderna, como o maior parque de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul no TCP.
Especialistas alertam para a seriedade dos objetivos chineses. Eugenio Stefanelo, professor da UFPR e ex-presidente da Conab, ressalta que, historicamente, a China cumpre seus planos. Segundo ele, a autossuficiência será atingida gradualmente, tornando crucial que o agronegócio paranaense e brasileiro busque ativamente novos mercados em regiões como Ásia, Oriente Médio e África, além de focar na agregação de valor aos produtos.
Apesar da cautela, há nuances a serem consideradas. Anderson Sartorelli, do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep, destaca que, embora a China já tenha alcançado a autossuficiência em arroz, trigo e milho, sua demanda por proteínas continua em crescimento. Neste cenário, o Brasil se posiciona como um parceiro estratégico e confiável, especialmente em um contexto geopolítico instável. Isso sugere que a relação de fornecimento de proteínas pode não ser alterada drasticamente no curto prazo, conferindo tempo para adaptações.
Para a economia paranaense, que possui uma base industrial e infraestrutura desenvolvida, a visão predominante é de que há tempo para adaptação. No entanto, as recomendações de longa data, como diversificar destinos de exportação e investir em produtos de maior valor agregado, tornam-se cada vez mais urgentes. A proatividade estratégica será fundamental para que o Paraná mantenha sua relevância no cenário do agronegócio global frente às mudanças nas políticas comerciais de seu principal parceiro.



