O Governo do Paraná se vê em meio a uma controvérsia por apresentar a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) de maneiras opostas, dependendo do público. Enquanto o governador Ratinho Junior (PSD) descreveu a empresa como "obsoleta" em declarações públicas para justificar sua privatização, um documento confidencial direcionado a potenciais investidores a eleva como "estratégica", "lucrativa" e "inovadora".
Para atrair o mercado, o material sigiloso, elaborado antes das declarações do governador, posiciona a Celepar como a "primeira GovTech brasileira", destacando sua atuação nos 399 municípios paranaenses e seu papel vital na estrutura estatal, com os dez maiores clientes sendo setores do próprio governo, como Detran e Secretarias de Fazenda e Segurança Pública. Com 134 contratos ativos que somam R$ 2,6 bilhões e um lucro de R$ 132 milhões sobre uma receita líquida de R$ 495 milhões em 2024, a estatal demonstra solidez financeira e crescimento, conforme o documento.
Apesar da pujança financeira apresentada a investidores, o governador justificou a venda em fevereiro afirmando que a empresa estaria defasada e que boa parte do governo já não utilizava seus serviços. Em resposta à inconsistência, o Governo do Estado do Paraná explicou que, embora a Celepar possua "ativos tecnológicos valiosos e vocação", seu crescimento e capacidade de inovação estariam "severamente limitados pelo regime jurídico estatal", necessitando de agilidade incompatível com o setor público para se manter competitiva.
O processo de privatização da Celepar, aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa do Paraná no final de 2024, estava previsto para um leilão no início de 2026. Contudo, uma decisão liminar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de relevância nacional, suspendeu o processo. O ministro apontou riscos à segurança dos dados dos cidadãos paranaenses e encaminhou a questão para análise do plenário do STF, cuja deliberação é aguardada para o mês de junho, mantendo o futuro da estatal em suspenso.
Fonte: https://g1.globo.com



