O governo brasileiro retornou de Washington sem clareza sobre a inclusão do país em uma possível nova rodada de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A indefinição gera preocupação, visto que a retomada de tarifas globais pelo governo de Donald Trump em julho pode ter um impacto significativo na economia nacional, aprofundando as incertezas nas relações comerciais bilaterais.
Atualmente, o Brasil já está sujeito a uma tarifa temporária de 10% estabelecida após uma decisão da Suprema Corte dos EUA, que limitou os poderes emergenciais do então presidente Trump para impor taxas generalizadas. Contudo, essa medida provisória deve expirar em julho, mês em que a administração Trump planeja reativar definitivamente uma série de tarifas globais, fruto de investigações administrativas sobre práticas comerciais consideradas “desleais” de diversos países, entre eles o Brasil.
Analistas apontam que esta nova fase de tarifas tende a ser mais robusta, baseada em critérios técnicos e interesses econômicos americanos mais estruturados. A secretária do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já tem sinalizado a iminência dessas ações, que visam também recuperar os cerca de US$ 200 bilhões em receita que o governo Trump esperava arrecadar com as tarifas anteriores e que foram perdidos com a decisão judicial. A medida, de relevância nacional, exige atenção redobrada do governo brasileiro para proteger seus setores produtivos.
Diante deste cenário, o governo brasileiro precisará equilibrar a busca por diálogo com a manutenção de uma postura firme, se necessário. Especialistas observam que momentos de maior confronto diplomático com os Estados Unidos, como em episódios anteriores de sanções, já contribuíram para o aumento da popularidade presidencial no Brasil. A habilidade de navegar entre negociações e críticas será crucial para defender os interesses econômicos e políticos do país frente a esta potencial escalada tarifária.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br



