Os bombeiros militares do Paraná, integrantes da força-tarefa brasileira em uma missão humanitária na Venezuela, foram oficialmente condecorados nesta segunda-feira (13) em uma cerimônia no Palácio Iguaçu. O reconhecimento veio por parte do governador Carlos Massa Ratinho Junior, que lhes concedeu a Medalha de Honra Presidente Carlos Cavalcanti de Albuquerque, honraria que celebra contribuições significativas do Corpo de Bombeiros do estado, destacando o valor da instituição e de seus profissionais.
A equipe paranaense, que incluiu os cães de busca Meghan e Ayra, atuou na linha de frente das operações de resgate após dois terremotos de grande magnitude que atingiram o país vizinho em 24 de junho. O governador Ratinho Junior expressou orgulho pela dedicação voluntária dos militares, ressaltando que o Paraná agora integra uma elite global de bombeiros, por fazer parte da força-tarefa brasileira de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BRA-01), em processo de certificação internacional junto à ONU.
A missão representou um desafio imenso, conforme relatado pelo tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) e líder da equipe na Venezuela. Ele descreveu a preocupação constante com a segurança dos militares diante das réplicas de terremotos, cenário que ele considerou mais imprevisível do que outros riscos comuns na profissão. A equipe, composta por dez bombeiros e dois cães, mobilizou cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados e foi a primeira força brasileira a iniciar os trabalhos de campo, em 27 de junho.
Em aproximadamente duas semanas, os bombeiros paranaenses realizaram 90 intervenções em áreas devastadas, como La Guaira e Caraballeda, e recuperaram 23 vítimas fatais. Os relatos de Cabo Rodrigo Oliveira Santos e Soldado Bruno Daniel da Silva Zacharias, condutores dos cães Meghan e Arya, respectivamente, evidenciaram a dificuldade de atuar em um ambiente de tanta destruição, priorizando a busca por sobreviventes em meio a edificações colapsadas e um cenário desolador.
Coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores, a missão brasileira também contou com apoio técnico e de saúde. A tragédia na Venezuela, com tremores de magnitude 7,2 e 7,5, resultou em mais de 4,4 mil mortos, 16,7 mil feridos e quase 20 mil desabrigados, tornando a atuação dos bombeiros do Paraná um exemplo de solidariedade e capacidade técnica nacional em momentos de crise internacional.



