Anafilaxia: Registro Nacional Revela Impacto e Desafios no Tratamento, com Destaque para Dados do Paraná

A anafilaxia, uma reação alérgica grave com potencial fatal, continua sendo um desafio de saúde pública no Brasil, frequentemente subdiagnosticada e com tratamento de emergência de difícil acesso. Para mapear essa condição crítica, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) lançou o pioneiro Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-Asbai), que já reúne dados de 318 pacientes em 20 estados brasileiros, incluindo uma participação significativa do Paraná.

Os sintomas da anafilaxia surgem rapidamente e afetam múltiplos sistemas do corpo, manifestando-se como alterações na pele, problemas respiratórios graves, disfunções gastrointestinais e, em casos extremos, queda acentuada da pressão arterial e desmaios. Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Asbai, ressalta que a identificação e o tratamento imediato com adrenalina são cruciais para a sobrevivência.

O levantamento do RBA-Asbai aponta que alimentos são os principais gatilhos, responsáveis por 42,1% das reações, com leite de vaca, mariscos e ovo no topo da lista. Medicamentos, incluindo anti-inflamatórios e antibióticos, respondem por 32,4% dos casos, enquanto ferroadas de insetos causam 23,9% das reações. Geograficamente, as regiões Sul e Sudeste apresentam a maior incidência, com São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), **Paraná (14,5%)** e Rio de Janeiro (13,5%) como os estados com mais participantes no registro.

A iniciativa da Asbai visa não apenas compreender o perfil da doença no país, mas também subsidiar a criação de políticas públicas eficazes de prevenção e tratamento em âmbito nacional. Contudo, o registro expõe uma grave lacuna: apenas 8,2% dos pacientes possuíam a caneta de adrenalina autoinjetável, medicamento essencial para o atendimento de urgência. Este dispositivo, ainda sem produção nacional, só pode ser adquirido por importação a um custo elevado, aguardando aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para maior disponibilidade no mercado brasileiro.

Mara Morelo e Dirceu Solé, coordenadores do estudo, enfatizam que a demora na aplicação da adrenalina pode ter consequências fatais. A ausência da autoinjetora faz com que a maioria dos tratamentos (50,3% dos casos registrados) ocorra em ambiente hospitalar, muitas vezes após o quadro se agravar, levando à necessidade de intubação ou reanimação em diversos pacientes. A ampliação do acesso à adrenalina autoinjetável é, portanto, uma medida urgente para salvar vidas e melhorar a gestão da anafilaxia no Brasil.

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