Paranaense Descobre Vidros com Urânio em Peças de Leilão em Londrina e Alerta sobre Cuidados

Uma empresária em Londrina, no Norte do Paraná, fez uma descoberta inesperada ao inspecionar itens arrematados em um leilão: taças que brilhavam intensamente sob luz negra. Camilla Trovó Gimenes confirmou que as peças eram de uralina, um tipo de vidro que incorpora óxido de urânio em sua composição e, por isso, emite pequenas quantidades de radiação. Os objetos foram cuidadosamente guardados em sua cristaleira, em seu antiquário na cidade paranaense.

Apesar da natureza radioativa, especialistas esclarecem que as peças de uralina não representam um risco de acidente radiológico de grandes proporções, como o ocorrido com o Césio-137 em Goiânia. Contudo, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) adverte que o uso diário desses objetos para consumo de alimentos ou bebidas não é recomendado, pois pode haver interação com o metal radioativo. Para itens armazenados e dentro de uma dose efetiva de 1 mSv por ano, o risco à saúde é considerado mínimo e seguro.

A fabricação de vidros com uralina foi descontinuada globalmente por volta da década de 1940, quando o urânio ganhou foco no mercado bélico e a exposição à radiação se tornou pauta de discussão. No Brasil, a produção de novas peças é vetada por meio da Resolução 344, de julho de 2025, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que considera o uso de fontes de radiação para adornos como 'fútil' e 'injustificável'. As peças preexistentes, no entanto, são tratadas como commodities com baixa dose efetiva, dispensando controle regulatório rigoroso.

O professor de física Augusto Ricci Murakami explica que o Urânio-238, predominante na uralina, tem uma meia-vida de 4,5 bilhões de anos, indicando uma desintegração muito lenta, ao contrário do Césio-137, que se desintegra rapidamente em cerca de 30 anos. Além disso, o urânio na uralina está integrado à estrutura do vidro, formando cacos em caso de quebra, diferentemente do pó solúvel do Césio-137. O brilho fluorescente sob luz negra, por sua vez, é uma propriedade química do urânio e não está diretamente ligada à intensidade da radioatividade.

Por não serem mais fabricadas há mais de oito décadas, essas peças são consideradas raras no mercado de antiguidades e se tornaram itens de colecionador. O caso da empresária paranaense é particular, pois a descrição do leilão não mencionava a composição das taças, indicando que a empresa vendedora de São Paulo talvez desconhecesse a presença de uralina. A descoberta de Camilla, através de um simples teste com luz negra, ressalta a importância da informação e do cuidado ao adquirir objetos antigos.

Fonte: https://g1.globo.com

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