Santa Casa de Londrina Suspende Serviços Críticos Após Intervenção Judicial por Má Gestão

A Irmandade da Santa Casa de Londrina (Iscal), um dos principais hospitais do norte do Paraná, teve suas operações de cirurgia eletiva e de urgência suspensas e seu pronto-socorro sob ameaça de fechamento. A situação crítica surge após uma intervenção judicial determinada pela juíza Gabriela Luciano Borri Aranda, da Vara da Fazenda Pública de Londrina. A medida, solicitada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), visa reverter um cenário de má gestão que levou a instituição a uma grave crise financeira, administrativa e assistencial. O diretor do Hospital Zona Norte, Reilly Alberto Aranda Lopes, foi nomeado para assumir a administração por um período mínimo de 180 dias, substituindo a diretoria afastada.

A suspensão dos procedimentos médicos e o risco de paralisação de serviços essenciais, como o pronto-socorro, são atribuídos à falta de insumos básicos, incluindo medicamentos e anestésicos. A advogada da diretoria afastada, Deborah Damas, argumenta que o impedimento de seus clientes de realizar atos administrativos rotineiros, como a compra de suprimentos e o pagamento de fornecedores, culminou no desabastecimento. Ela alertou que muitos fornecedores, antes dispostos a vender parcelado, agora exigem pagamento à vista, agravando a situação. A defesa dos gestores afastados já protocolou um pedido de revogação da decisão judicial junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).

Contrariando a versão da defesa, a promotora de Justiça da Saúde Pública de Londrina, Susana de Lacerda, afirmou que a escassez de insumos é um reflexo direto da "má-gestão" preexistente e não uma consequência da intervenção. Lacerda criticou a diretoria afastada, acusando-a de subverter o espírito de cooperação determinado pela Justiça ao paralisar compras vitais e ameaçar o fechamento do pronto-socorro sob o pretexto de estrito cumprimento da ordem de abstenção. A promotora ressaltou que o estatuto da Iscal prevê a convocação de suplentes para assumir a Mesa Administrativa em caso de vacância, indicando que a alegação da defesa não tem respaldo interno.

Diante do risco de desassistência total à população de Londrina e região, o MPPR solicitou que a juíza intime a provedora afastada a convocar imediatamente os substitutos previstos no estatuto, garantindo a continuidade dos serviços até a posse efetiva do interventor. A ação civil pública que motivou a intervenção detalha uma série de irregularidades financeiras, trabalhistas, administrativas e assistenciais na gestão da Iscal, reforçando a necessidade da medida para a reestruturação da importante unidade de saúde no interior do Paraná. A comunidade e as autoridades acompanham de perto os desdobramentos para assegurar a normalização dos atendimentos.

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br

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