Um caso de agressão contra uma criança de três anos em Francisco Beltrão, no <b>Paraná</b>, trouxe à tona a discussão sobre a compreensão do choro infantil. O pai da menina foi flagrado por câmeras de segurança chutando a filha e, em depoimento à Polícia Civil, alegou que a agrediu porque ela estava chorando. O homem foi preso preventivamente.
A doutora em Estudos da Criança e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Juliana Prates, esclarece que o choro é uma ferramenta de expressão emocional fundamental para crianças que ainda não desenvolveram repertório de linguagem suficiente. Segundo a especialista, muitas vezes, a sociedade e os adultos interpretam essa manifestação como um comportamento inadequado ou birra, pressionando pais e cuidadores a controlarem o comportamento infantil, o que pode levar a reações violentas.
Prates destaca que a sociedade, em alguns contextos, reforça a ideia de que a punição física é uma estratégia válida para disciplinar crianças. Contudo, ela defende a necessidade de maior tolerância aos comportamentos considerados “inadequados”, sugerindo que os pais ofereçam estratégias de regulação emocional e aguardem a calma da criança, sem que isso seja visto como negligência. A compreensão de que crianças são pessoas com direitos, sentimentos e necessidades é crucial, e não apenas uma propriedade familiar.
Uma pesquisa encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e realizada pelo Datafolha revela a amplitude do problema no Brasil: 29% dos entrevistados admitiram o uso de palmadas e beliscões em crianças de até três anos. O estudo também apontou que 58% aplicam castigos e 43% recorrem a gritos ou brigas como forma de disciplina. Diante desse cenário, a intervenção da sociedade, como a de um empresário que testemunhou a agressão no Paraná, é essencial. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reforça que a proteção e o desenvolvimento infantil são responsabilidades compartilhadas entre família, sociedade e Estado.
Para denunciar qualquer tipo de violência contra crianças, os canais disponíveis são o Disque 100 (Governo Federal), o 181 (Disque-Denúncia do Governo do Paraná), o Conselho Tutelar, o Ministério Público, a Polícia Militar e a Polícia Civil. A vigilância e a intervenção social são fundamentais para garantir os direitos e a segurança dos pequenos.
Fonte: https://g1.globo.com



