Uma transformação significativa está redefinindo a pecuária brasileira: a idade de abate de bovinos vem caindo drasticamente, com animais em sistemas mais tecnificados chegando ao frigorífico com apenas 18 meses, frente aos 36 meses ou mais de práticas tradicionais. Este avanço, de relevância nacional para o agronegócio, é resultado de investimentos contínuos em genética, nutrição animal, técnicas de confinamento e a crescente adoção da integração lavoura-pecuária, além das rigorosas exigências de mercados importadores estratégicos, como a China.
A tendência de encurtamento do ciclo produtivo é observada em todo o país, com dados de estados-chave confirmando a mudança. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, levantamentos da Famasul mostram que a maioria dos machos abatidos já se concentra na faixa de 13 a 24 meses. De forma ainda mais marcante, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou que 44% dos bovinos abatidos no Mato Grosso entre janeiro e abril de 2026 tinham até 24 meses, o maior percentual da série histórica iniciada em 2006, evidenciando uma antecipação substancial em comparação aos 2% do início do levantamento.
Especialistas do setor, como Felipe Bortolotto, da Cargill, e Eduardo Pedroso, da Friboi, destacam que a redução da idade de abate é uma das maiores transformações da pecuária nacional nas últimas décadas. Essa mudança estrutural é impulsionada pela necessidade de aumentar o giro do rebanho e produzir mais carne com os mesmos recursos. A evolução dos sistemas de produção, que migraram de modelos extensivos e sazonais para intensivos e tecnificados, permitiu que os animais atinjam o peso ideal em menos tempo, melhorando a eficiência e os índices de desfrute da pecuária brasileira.
O papel dos mercados externos, em particular a China, foi crucial para acelerar essa modernização. A exigência chinesa de animais com até 30 meses de idade para habilitação de plantas exportadoras, somada às bonificações para bovinos mais jovens, incentivou produtores brasileiros a encurtarem ainda mais os ciclos. Essa demanda, motivada também pela mitigação de riscos sanitários como a Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), forçou a pecuária nacional a se adaptar rapidamente, resultando em um ganho significativo de competitividade no mercado global de carne bovina.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br



