O Brasil pode enfrentar uma sobretaxa total de até 37,5% sobre seus produtos exportados para os Estados Unidos, caso as tarifas propostas pelo governo norte-americano sejam implementadas. Esta medida, de grande relevância para a economia nacional, é resultado de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que aponta tanto "práticas que oneram ou restringem" o comércio quanto falhas na fiscalização de produtos ligados a trabalho forçado.
As alegações se desdobram em duas frentes. Um primeiro relatório do USTR propõe a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, sustentado pela justificativa de que o governo brasileiro adota práticas comerciais que dificultam as relações com os EUA. Adicionalmente, um segundo levantamento, que engloba 60 países incluindo o Brasil, sugere uma taxa extra de 12,5% por supostamente não coibir e fiscalizar adequadamente a importação de bens produzidos com mão de obra forçada.
A possibilidade dessas taxas elevadas, que se assemelham aos cerca de 40% impostos em um período anterior, foi o foco de um breve encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O diálogo ocorreu nesta quarta-feira (3), durante uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.
Durante a conversa, Greer afirmou que os Estados Unidos mantêm a disposição para dialogar sobre as tarifas. Por sua vez, o ministro Vieira defendeu a intensificação das negociações, ressaltando a importância de se abordar as recomendações do USTR de forma mais aprofundada. Fontes próximas às discussões confirmam que há um canal de comunicação ativo entre os dois governos, e as negociações prosseguem dentro de um prazo de 30 dias previamente acordado entre as nações.
Apesar da escalada das tensões comerciais após a divulgação dessas medidas tarifárias, a avaliação de integrantes da delegação brasileira é de que os canais de negociação permanecem abertos. Isso indica que ambas as partes buscam uma resolução diplomática para evitar a imposição das sobretaxas, que teriam um impacto significativo na balança comercial e na economia do Brasil.
Fonte: https://g1.globo.com



