A erliquiose canina, uma doença infecciosa transmitida por carrapatos, emergiu como um grave problema de saúde pública veterinária, sendo descrita como uma 'epidemia silenciosa' em todo o Brasil. No Paraná, especificamente em Londrina, especialistas estão em alerta, destacando a relevância da enfermidade que se tornou a principal causa de internação de cães em hospitais veterinários no país. A patologia representa um risco quase imperceptível para milhões de animais, com potencial de causar sequelas duradouras ou até mesmo levar a óbito.
A dimensão real do problema é obscurecida pela falta de registros oficiais. A erliquiose não está incluída na lista nacional de doenças de notificação compulsória ao Ministério da Agricultura e Pecuária, o que contribui para uma significativa subnotificação dos casos. Ana Paula Marcos, gestora e responsável técnica do Hospital Veterinário Municipal UABA de Londrina, reforça essa preocupação ao afirmar que “o número real de casos é provavelmente muito superior aos registros oficiais”. Esse cenário dificulta a implementação de políticas eficazes de prevenção e controle.
A transmissão da bactéria *Ehrlichia canis* ocorre principalmente pela picada do carrapato-marrom (*Rhipicephalus sanguineus*) infectado, que, ao se alimentar do sangue do animal por algumas horas, transfere o patógeno. Uma vez na corrente sanguínea, a bactéria ataca as células de defesa, comprometendo severamente o sistema imunológico e hematológico do cão. Os sinais clínicos são variados e, para tutores leigos, podem passar despercebidos, incluindo secreção ocular, tosse, espirros, vômitos, diarreia, dor articular, dificuldade de locomoção e até convulsões, conforme detalhado por Thais Neris da Silva Medeiros, diretora clínica do Hospital Veterinário Sencipet, também em Londrina.
O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento, que geralmente envolve o uso de antibióticos específicos por aproximadamente 28 dias. Exames de sangue especializados, como testes rápidos, sorologia e PCR, são cruciais para a detecção precisa da doença. Medeiros estima que, em quadros mais simples, os custos iniciais com consulta, exames e testes podem variar entre R$ 350 e R$ 650, sem incluir os medicamentos. A falta de tratamento adequado pode evoluir para estágios crônicos, resultando em sequelas permanentes ou fatalidades.



