Um relatório preliminar do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontou graves suspeitas de irregularidades em contratos de saúde da prefeitura de Fazenda Rio Grande, município da Região Metropolitana de Curitiba. A auditoria preliminar, que já foi encaminhada à gestão municipal para defesa, destaca falhas que teriam desviado recursos públicos em acordos que somam mais de R$ 10 milhões, firmados sem licitação com a empresa AGP Saúde.
Entre as descobertas mais alarmantes estão a realização de exames de próstata em mulheres — um procedimento clinicamente inviável — e a identificação de testes feitos em nomes de pacientes já falecidos antes da assinatura dos contratos. A fiscalização também revelou a utilização de 92 CPFs repetidos, 5.103 CPFs de pessoas de fora do Paraná e 294 registros de óbitos anteriores à contratação, totalizando 5.321 irregularidades que indicam um prejuízo estimado de R$ 812.250,65 aos cofres públicos do estado do Paraná.
Além das anomalias nos dados dos pacientes, o TCE-PR encontrou indícios de superfaturamento. Um questionário de saúde, avaliado em R$ 16,39 no mercado, foi pago pela prefeitura por R$ 75,40 — um valor quatro vezes maior. O relatório também criticou a falta de utilidade dos testes rápidos, aplicados por funcionários sem qualificação em ambientes inadequados, o que comprometia os resultados e gerava duplicidade de gastos, uma vez que exames laboratoriais complementares eram frequentemente necessários.
O prefeito que estava à frente da gestão municipal na época dos contratos, Marco Marcondes (PSD), encontra-se afastado do cargo desde outubro de 2025. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por organização criminosa, contratação direta ilegal e peculato, com suspeitas de recebimento de propina e desvio de verbas da saúde pública. O caso foi remetido à Justiça Federal, dado o envolvimento de recursos da União.
Em resposta às acusações, a atual administração de Fazenda Rio Grande informou que congelou todos os pagamentos e alterações contratuais com a AGP Saúde. A prefeitura também determinou uma auditoria interna com o objetivo de buscar o ressarcimento integral dos valores aos cofres públicos e de apurar a conduta dos envolvidos para devida responsabilização.
Fonte: https://g1.globo.com



