Uma pesquisa recente da Fesa Group revela a persistência da desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro, especialmente para mulheres em posições de liderança. O levantamento, que ouviu quase 600 executivas, mostra que cerca de 80% delas acreditam não ter as mesmas oportunidades que homens para ascender a cargos de liderança. Além disso, a chegada dos filhos impacta diretamente a carreira de aproximadamente 60% dessas profissionais, evidenciando os desafios enfrentados em um cenário nacional onde a conciliação entre vida pessoal e profissional ainda é uma barreira.
A 'Penalidade da Maternidade' no Ambiente Corporativo
O estudo detalha que a maternidade funciona como um dos principais obstáculos para a progressão feminina. A denominada 'penalidade da maternidade' manifesta-se por meio de menos promoções, salários inferiores e rotinas corporativas incompatíveis com o cuidado dos filhos. Em processos seletivos, muitas empresas ainda consideram, de forma velada, a intenção de candidatas engravidarem. Diante dessa realidade, a procura pelo congelamento de óvulos cresceu mais de 80% nos últimos cinco anos, segundo dados da Anvisa e da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, como estratégia para adiar a maternidade e priorizar a carreira.
Viés Inconsciente e o Impacto na Economia Nacional
Para além das barreiras explícitas, a pesquisa aponta para a atuação do viés inconsciente, como a ideia de que o cuidado com os filhos é responsabilidade exclusiva da mãe. Esta desigualdade de gênero tem consequências diretas para a economia do país. Um estudo da PwC Women in Work sugere que a redução dessa disparidade pode combater a escassez de mão de obra, impulsionar a inovação e aumentar a diversidade de talentos nas empresas, contribuindo significativamente para a produtividade econômica nacional. Marco Castro, CEO da PwC Brasil, ressalta a urgência de uma discussão ampla, com homens sendo protagonistas no apoio à inclusão e igualdade feminina.
Avanços e Inspiração para Futuras Lideranças
Apesar dos desafios, há sinais de progresso no cenário nacional. Mais mulheres alcançam posições de liderança, e organizações ajustam suas políticas internas para fomentar a ascensão feminina. Patrícia Pugas, diretora-executiva do Magazine Luiza, com quase 30 anos de carreira e três filhas, compartilha o desafio da autocobrança, mas destaca a importância de exemplos. A presença de mais mulheres em cargos de destaque serve como inspiração, mostrando que é possível conciliar carreira e maternidade, e encorajando as novas gerações a perseguirem seus objetivos profissionais.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br



