O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o trânsito em julgado do emblemático Caso Evandro, mantendo a decisão que reconheceu a inocência dos ex-condenados pelo assassinato do menino Evandro Ramos Caetano. A decisão, que encerra o processo sem possibilidade de novos recursos, chega quase 34 anos após o crime que chocou a cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná, e que até hoje não teve seu verdadeiro responsável identificado.
O caso remonta a 1992, quando Evandro, então com seis anos, desapareceu no trajeto entre sua casa e a escola em Guaratuba. Dias depois, um corpo com sinais de extrema violência foi encontrado em um matagal. As investigações iniciais apontaram para a morte da criança em um suposto ritual religioso, levando à acusação de sete pessoas, incluindo Celina e Beatriz Abagge, esposa e filha do então prefeito da cidade, além de outros indivíduos.
A complexa saga judicial foi marcada por múltiplos julgamentos, que incluíram a maior sessão do júri da história do Judiciário brasileiro. Ao longo dos anos, as acusações enfrentaram reviravoltas significativas, com alegações de tortura policial para a obtenção de confissões. A divulgação, em 2018, de fitas cassete contendo registros dessas torturas, reveladas pelo jornalista Ivan Mizanzuk, trouxe uma nova perspectiva para o caso e intensificou a busca pela verdade e justiça para os acusados.
A confirmação da inocência pelo STF coloca um ponto final na odisseia legal dos ex-condenados, mas ressalta a falha em identificar o autor do crime que vitimou o menino Evandro. O Caso Evandro permanece como um símbolo de um sistema de justiça que demorou décadas para reconhecer erros, ao mesmo tempo em que a ausência de resolução sobre a autoria real do assassinato continua a assombrar a memória do Paraná e a repercutir em todo o país.
Fonte: https://g1.globo.com



