Um caso de cárcere privado na Grande Curitiba, Paraná, ganhou destaque pela desproporção entre o tempo em que uma mulher foi mantida em cativeiro e a pena cumprida por seu agressor. Jean Machado Ribas, que manteve sua companheira trancada em casa por cerca de cinco anos em Itaperuçu, foi condenado a seis anos em regime semiaberto, mas esteve preso por apenas sete meses. Atualmente, ele cumpre a pena em liberdade com monitoramento eletrônico, um tempo oito vezes menor do que a duração do crime hediondo que cometeu no estado do Paraná.
A vítima foi resgatada em março de 2025, junto ao filho de quatro anos, após conseguir enviar um e-mail com pedido de socorro à Casa da Mulher Brasileira. Durante o período de confinamento, a mulher relatou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que sofria agressões físicas, era constantemente ameaçada de morte caso tentasse fugir e era monitorada por câmeras. O agressor também quebrava seus celulares para impedi-la de pedir ajuda, e o filho do casal presenciou toda a violência.
O percurso judicial de Jean Ribas tem sido marcado por idas e vindas. Inicialmente preso em flagrante no dia do resgate, ele foi liberado e fugiu, entregando-se à polícia 29 dias depois. Desde então, passou por uma sequência de prisões preventivas e solturas, até ser concedido o direito ao regime semiaberto com tornozeleira eletrônica em janeiro de 2026. No entanto, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) solicitou a revisão da pena, argumentando descumprimento de medida protetiva e pedindo a elevação da condenação para mais de 10 anos em regime fechado, além da prisão imediata. A Justiça acatou o pedido, e Jean pode ser detido novamente a qualquer momento.
O caso de Itaperuçu reflete uma preocupante realidade no Paraná. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que o estado registra um caso de cárcere privado a cada 15 horas, com 582 ocorrências em 2025. A legislação prevê penas mais rigorosas quando o crime ocorre no contexto de violência doméstica, e especialistas alertam que o cárcere pode se manifestar não apenas por impedimentos físicos, mas também por controle psicológico e ameaças constantes, configurando um 'cárcere psicológico' que aprisiona a vítima.
Fonte: https://g1.globo.com



