A carência de projetos técnicos é um obstáculo significativo para o progresso de cidades de menor porte no Paraná, impedindo o acesso a verbas estaduais e federais cruciais para áreas como saúde, infraestrutura e educação. Para combater essa lacuna, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), em parceria com a Itaipu Binacional/Governo Federal e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), lançou o Programa Mais Engenharia. Em apenas dois meses de execução, a iniciativa já estruturou cerca de R$ 100 milhões em projetos, abrindo caminho para licitações e melhorias.
O programa, que teve início em 2023, selecionou 50 dos 167 municípios inscritos no estado do Paraná. Ele aloca engenheiros civis recém-formados e estagiários diretamente nas prefeituras, equipando-os com tecnologia avançada para a elaboração de projetos e captação de recursos públicos. Os 50 engenheiros, com até três anos de formação, e 50 estagiários atuam em regime de residência técnica por dois anos, recebendo remuneração equivalente ao salário mínimo profissional. Paralelamente, cursam uma especialização em Gestão Pública em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável, aprimorando suas competências técnicas e de gestão.
A visão do Crea-PR é ir além da fiscalização, contribuindo ativamente para o crescimento dos municípios paranaenses. A proposta é uma combinação estratégica de prática profissional e qualificação acadêmica, com o objetivo de fixar esses talentos no interior do estado. A expectativa é que cada engenheiro desenvolva, no mínimo, dois projetos anualmente, fortalecendo a capacidade local de angariar recursos e converter planos em realidade. Segundo Euclesio Manoel Finatti, assessor do Crea-PR, o diferencial reside na formação integrada, que capacita os profissionais não apenas tecnicamente, mas também na compreensão dos processos da máquina pública, desde licitações até contratações.
Um exemplo concreto do impacto do programa é observado em Nova Santa Bárbara, no Norte Pioneiro do Paraná. A cidade, com pouco mais de 4 mil habitantes, enfrentava dificuldades na elaboração de projetos devido à escassez de equipe técnica. Com a chegada da engenheira Débora dos Santos Pereira, vinculada ao Mais Engenharia, o município avançou em diversas frentes. Atualmente, possui mais de R$ 20 milhões em projetos de obras para serem executados em áreas como saúde, educação e infraestrutura, que antes não sairiam do papel. A presença da profissional tem sido fundamental tanto na elaboração quanto no planejamento e fiscalização das obras, otimizando a gestão municipal e a qualidade técnica das propostas.



