Após quase 20 anos de espera, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) formalizou a denúncia contra Martônio Alves Batista, de 55 anos, pelo assassinato de Giovanna dos Reis Costa, ocorrido em 2006. A notícia, que representa um passo significativo na busca por justiça, reacende a esperança da família em um crime que chocou a Região Metropolitana de Curitiba e estava prestes a prescrever, destacando a atuação das autoridades paranaenses.
Giovanna, então com nove anos, desapareceu em 10 de abril de 2006 enquanto vendia rifas escolares em Quatro Barras. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, com sinais de extrema violência sexual, em um terreno baldio. O caso permaneceu arquivado por anos, e tentativas anteriores de julgamento resultaram na inocência de outros suspeitos. A reviravolta ocorreu em fevereiro deste ano, com a prisão preventiva de Martônio em Londrina, no norte do Paraná, após uma nova denúncia que trouxe novos elementos à investigação.
A reabertura do inquérito se deu a partir do depoimento de uma ex-enteada do acusado, que relatou ter sido vítima de abusos sexuais e ameaçada com a frase 'você será a próxima Giovanna'. Essa revelação foi crucial para que a Polícia Civil do Paraná encaminhasse o caso ao MP-PR, apenas dois meses antes da prescrição do crime de homicídio qualificado. A denúncia abrange homicídio qualificado por motivo torpe, com uso de meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ter sido cometido para assegurar a impunidade de um crime anterior, embora os delitos de atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver já tenham prescrito.
Para Cristina Aparecida Costa, mãe da menina, a denúncia representa um misto de alívio e dor. 'Quando a gente recebeu essa notícia, a gente ficou muito feliz. A gente vai conseguir respirar direito sabendo que ele vai pagar pelo o que ele fez. Isso conforta a gente', expressou. Contudo, ela ressalta que a ausência da filha é uma ferida que nunca cicatriza por completo. 'A gente nunca vai viver feliz por completo. Sempre tem essa saudade', lamenta, evidenciando a dor perene que o crime deixou na família, residente no Paraná.
O Ministério Público solicitou não apenas a condenação de Martônio, mas também o pagamento de R$ 100 mil aos familiares de Giovanna como indenização e o custeio de atendimento multidisciplinar, seja pelo agressor ou pelo Estado. A defesa do acusado informou que está acompanhando o caso, que agora segue para as próximas etapas na Justiça do Paraná.
Fonte: https://g1.globo.com



